20/10/08
Corrupção à vista

Nova sistemática de planejamento do Estado pode privilegiar a corrupção.
Embora pouca gente saiba disso, o Governo Jackson Lago modificou a sistemática de planejamento das ações do Estado. Agora serão criadas 32 regiões de planejamento que terão a incumbência de promover a descentralização administrativa, ou seja, cada região terá o seu orçamento próprio para executar as suas ações gerenciais.
Esta sistemática já será implementada agora em 2009, inclusive com recursos oriundos do orçamento anual. O Plano Plurianual (PPA 2008-2011), nesta lógica é regionalizado e conta, ainda, com os Planos Populares de Desenvolvimento Regional (PPDR), que foram elaborados por meio de oficinas realizadas em todas as regiões do Maranhão com a participação da sociedade, dos governos, do empresariado e das lideranças sociais, afirma o release da secretaria de Planejamento do Estado do Maranhão.
Além do PPDR, foram realizados também estudos técnicos que fizeram levantamentos acerca da Infra-estrutura e de Recursos Humanos e o Diagnóstico das Potencialidades Econômicas Regionais, alicerçados no formato institucional dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento.
Esses Conselhos Regionais de Desenvolvimento (CRD), objetivam estabelecer uma nova forma de relacionamento entre o Governo do Estado e a sociedade local e regional. O Conselho terá a responsabilidade de otimizar a aplicação do orçamento regionalizado, além de monitorar e avaliar a execução das ações por parte da região de desenvolvimento.
Ao todo serão 1.122 conselheiros que vão ter essa responsabilidade de controlar e fiscalizar as ações das 32 Regiões Administrativas do Estado;função de grande responsabilidade, mas não remunerada. Segundo o release, estes conselhos deverão ser compostos paritariamente de membros da sociedade civil organizada e do serviço público.
A problemática dos conselhos-Um modelo falido de controle
Causa-nos preocupação o fato de a fiscalização das Regiões de Desenvolvimento ser implementada apenas pelos conselhos, uma vez que se tem clara consciência da falta de preparo destes para o exercício da função fiscalizadora; e não é por desinteresse destes conselheiros e, sim por sabotagem, na grande maioria da vezes, do próprio Estado.
Em nossa jornada de auditoria não encontramos ainda hoje um conselho que exerça as suas atribuições de fiscalização de forma correta. E, em âmbito Federal, existem muitos conselhos que legitimam esta afirmação, como por exemplo: Conselho de Acompanhamento do FUNDEB, Conselho da Merenda Escolar, Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil, Conselho Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Assistência Social (…) enfim, vários são os conselhos inoperantes e desgarrados de sua função fiscalizatória.
Com essa mitigação do controle, o Governo Jackson cria mais um imbróglio para a sociedade maranhense. Não entenda-se a assertiva como sendo a de que a descentralização administrativa seja ruim, muito pelo contrário, ela é imprescindível para a redução das desigualdades regionais. Mas a deficiência de fiscalização na descentralização dos recursos a estas regiões de desenvolvimento é o que nos preocupa.
Ademais, todos os conselhos fiscalizados pela CGU demonstraram que não apresentam três requisitos básicos para o o seu funcionamento, que são: legitimidade, representatividade e autonomia.
Por que não fortalecer a Controladoria-Geral do Estado?
Por que não fortalecer a Controladoria-Geral do Estado, que recentemente fez 40 anos de existência, e precisa fortalecer, urgentemente, o seu papel institucional, sob pena de não cumprir a sua missão que é a de “Assegurar, em harmonia com o controle social, a efetiva e regular gestão dos recursos públicos, em benefício da sociedade do Maranhão.”
O Governador Jackson Lago deve repensar a máxima de que ‘quanto mais sem controle melhor’, não pode tornar a fazer o que fez à época em que foi prefeito de São Luís e extinguiu a Controladoria-Geral do Município de São Luís. Não sabe ele que o controle encerra qualquer fluxo administrativo, que se inicia com o Planejamento, Organização, Direção, Controle e, por fim, avaliação.
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