
RECURSOS DO PROGRAMA LUZ PARA TODOS NÃO ESTÃO CHEGANDO ÀS COMUNIDADES
A CEMAR recebeu R$ 512,8 milhões entre 2005 e 2007 para aplicação no programa Luz para Todos - PLPT, sendo que 86% desses recursos foram liberados a fundo perdido pelo Governo Federal.
Inicialmente, as críticas que foram feitas ao Programa eram sobre a ausência de transparên-cia na priorização das obras, que deu margem às alegações de favorecimento a grupos políticos.
A empresa alega na sua propaganda que até o final de 207 já interligou 130.652 residências em 180 municípios com os recursos do PLPT, a um custo médio de R$ 3.500 por ligação.
Mas segundo denúncia apresentada pelo Sindicato dos Urbanitários do Maranhão ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal, parte desses recursos podem ter sido desviados pela CEMAR, concessionária de energia elétrica do Maranhão responsável pela implantação do programa.
O Sindicato do Urbanitários descobriu que os dados informados pela própria CEMAR à Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL não estavam batendo com os relatórios de obras do programa luz para todos enviados ao Governo Federal.
Segundo o processo que está correndo no Tribunal de Contas existem alguns municípios em que o número de ligações do PLPT que a CEMAR alega ter realizado é maior do que o número de consumidores informados pela mesma CEMAR para a ANEEL.
Por exemplo, no município de Buriticupu a CEMAR diz que fez 4.785 ligações do programa Luz para Todos, tendo recebido R$ 8,1 milhões pelo serviço, mas nos relatórios de con-sumidores interligados enviados à ANEEL não aparecem essas ligações.
O mesmo aconteceu em outros municípios como Santa Luzia , Arame , Barra do Corda, Bacabal, Coroatá, Amarante, Jenipapo dos Vieiras, Bom Jesus, Estreito e Cajari, se considerados apenas os municípios em que há mais de mil ligações PLPT acima do número de consumidores informados pela CEMAR. Ou seja, para a ANEEL a CEMAR informava um número de consumidores interligados menor do que deveria existir após as ligações do Programa Luz para Todos.
Levantamentos de campo realizados pelo Sindicato dos Urbanitários no município de Pedro do Rosário (povoado de Quariquari) localizaram ligações do programa luz para todos em currais, anexos de residências e igrejas, sendo que em algumas há somente a ligação externa, sem instalação da fiação interna e dos kit residenciais (3 lâmpadas e 2 tomadas) .
A Eletrobrás, empresa do Governo Federal a quem caberia a responsabilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos para o Programa Luz para Todos, tem apresentado relatórios de fiscalização favoráveis à CEMAR, mas que são realizados num prazo muito pequeno, que não permite aos técnicos realmente verificar se os recursos estão sendo aplicados.
De fato, nos dois primeiros contratos assinados pela CEMAR para aplicação de recursos do PLPT foram realizadas quatro inspeções físicas, em que foram mobilizadas equipes de 5 ou 6 engenheiros da Eletrobrás para fiscalizar as amostras. Como em cada inspeção deveriam ter sido vistoriados de 24 a 44 municípios, isto significa dizer que cada engenheiro deveria fiscalizar de 4 a 9 municípios, de acordo com a inspeção realizada, no prazo de 9 a 15 dias de duração de cada inspeção. O número de consumidores a ser fiscalizado por cada enge-nheiro em cada inspeção ficaria entre 600 e 1550 consumidores.
Por exemplo, na primeira fiscalização do segundo contrato um dos fiscais teria vistoriado 2.376 ligações em 16 projetos em 12 municípios no prazo de 15 dias, incluídos os finais de semana. Somente em deslocamentos rodoviários o referido fiscal ultrapassaria a marca de 2.000 quilômetros para chegar as localidades dos povoados, afora os deslocamentos para fiscalização de todos os consumidores e equipamentos de campo das amostras. Mesmo se desconsiderados os deslocamentos entre os 12 municípios, seria praticamente impossível a média de fiscalização de 158 ligações por dia.
Assim, milhões e milhões de reais estão sendo repassados pelo Governo para a CEMAR sem que se tenha certeza se os recursos estão sendo aplicados no atendimento à comunida-des carentes do nosso Estado.
Esse assunto já chegou a ser divulgado na imprensa, mas ainda não está sendo levado ao conhecimento da população maranhense que mais precisa desses recursos, que são aqueles que ainda esperam a chegada o programa em suas comunidades.
Mas além desse possível desvio de recursos, a CEMAR conseguiu que a ANEEL incluísse no último reajuste da tarifa da energia elétrica, que aconteceu em julho/2007, um reajuste adicional de 4,25%, para que a sociedade custeasse o aumento de custos da empresa com a inclusão desses novos consumidores. Se for confirmado na investigação que a empresa não fez todas as ligações do PLPT de acordo com as normas do programa, todos os maranhen-ses podem estar pagando sua conta de energia elétrica num valor mais alto do que deveria ser cobrado.
O Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA-MA acompanha o Programa Luz para Todos desde o seu início no Estado. Luta para que ele, de fato, beneficie pobres, quilombolas e indígenas do Maranhão, que constituem o seu público-alvo.
O CONSEA-MA sempre denunciou o desvio político que sofre o PLPT no Estado, inclusi-ve em audiência pública na Assembléia Legislativa. E, inicia uma campanha, para dar pros-seguimento na luta pela moralização, transparência e correção do uso deste recurso público. O CONSEA-MA, nessa campanha convoca todos os maranhenses a registrar sua denúncia de malversação do Programa Luz para Todos, em seu município. Comunique-nos as irregularidades, para que sejam tornadas públicas e levadas a todas as instâncias de fiscalização e apuração e sejam tomadas as providências legais pertinentes.
Juntos, podemos fazer o Programa Luz para Todos levar, de fato, luz a quem precisa no Maranhão.
CONSEA-MARANHÃO
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